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Arquivo da Categoria: Poesia

SENA, Jorge

JorgeSENA

Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.

É possível, porque tudo é possível, que ele seja

aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,

onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém

de nada haver que não seja simples e natural.

Um mundo em que tudo seja permitido,

conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,

o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.

(…)

Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém

vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la.

É isto o que mais importa – essa alegria.

Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto

não é senão essa alegria que vem

de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez

alguém está menos vivo ou sofre ou morre

para que um só de vós resista um pouco mais

à morte que é de todos e virá.

Que tudo isto sabereis serenamente,

sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,

e sobretudo sem desapego ou indiferença,

ardentemente espero. Tanto sangue,

tanta dor, tanta angústia, um dia

– mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga –

não hão-de ser em vão. (…)

E, por isso, o mesmo mundo que criemos

nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa

que não é nossa, que nos é cedida

para a guardarmos respeitosamente

em memória do sangue que nos corre nas veias,

da nossa carne que foi outra, do amor que

outros não amaram porque lho roubaram.

Jorge de Sena

 

 

Sena na Biblioteca – 821.134.3-14 e 821.34.3-34

(a obra de Jorge de Sena encontra-se distribuída por toda  a classe 82)

 

 
 

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SOPHIA

Sophia

Porque

 

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

 

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

 

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

 

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia na Biblioteca – CDU 821.134.3-14

 

 
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Publicado por em 6 de Novembro de 2019 em Bibliotecando, Escrita, Música, Poesia

 

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Orgulhosamente Sá da Bandeira

Palavras são como  cerejas –  braço dado, uma ampara outra, as duas falam, outra se lhes junta, subitamente uma frase, um texto e de conversa nasce poema, conto, novela, romance, saga.

Assim, também as telas, sedentas de cor, traço sentido, pinceladas clássicas, risco modernista ou luz barroca.

Maio é como palavras e telas, verdejante, solar e amadurecido, azul ora límpido ora algodoado, inverno ido, primavera madura, verão anunciado.

Por isso, a Biblioteca da Sá da Bandeira convoca os alunos que trazem maio na escrita e nas telas, os  conhecidos, já estudados por muitos,  e os que vão publicando.

Convidamos todos a ver a exposição com as obras  daqueles de quem dizemos

ORGULHOSAMENTE SÁ DA BANDEIRA:

 

 

 

 

 

 

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130 anos de Pessoa(s)

130Pessoa-2018 (1)

Se a literatura portuguesa tivesse a sua época de festejos populares  Fernando Pessoa seria , certamente, um dos mais celebrados, dos que mais venderia, aquele que mais refletiria as tendências do marketing. Nos mais inusitados objetos se encontra a imagem de Pessoa – dos baralhos de cartas às camisolas, das pens às estilizadas sardinhas, dos tradicionais postais a embalagens de gomas, de canecas  a blocos de apontamentos, de canetas a isqueiros, de panos de louça a serviços de café – uma miríade de opções. 

Álvaro de Campos talvez o tivesse adivinhado 

Assim, como sou, tenham paciência!

Há 130 anos nasceu o génio que  tantas edições motiva:

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Há 83 anos (a 13 de janeiro de 1935) escreveu, na carta a Adolfo Casais Monteiro:

“Sou um dos poucos poetas portugueses que não decretou a sua própria infalibilidade, nem toma qualquer crítica, que se lhe faça, como um acto de lesa-divindade. Além disso, quaisquer que sejam os meus defeitos mentais, é nula em mim a tendência para a mania da perseguição.(…) Não penso nada do Caeiro, do Ricardo Reis ou do Álvaro de Campos. Nada disso poderei fazer, no sentido de publicar, excepto quando (ver mais acima) me for dado o Prémio Nobel. E contudo — penso-o com tristeza — pus no Caeiro todo o meu poder de despersonalização dramática, pus em Ricardo Reis toda a minha disciplina mental, vestida da música que lhe é própria, pus em Álvaro de Campos toda a emoção que não dou nem a mim nem à vida.”

Se a vida lhe tivesse dado tempo…

 

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Cada árvore é um ser para ser em nós

ÁrvoreEuropeiadoAno-SobreiroAssobiador-

Cada árvore é um ser para ser em nós

Cada árvore é um ser para ser em nós
Para ver uma árvore não basta vê-a
a árvore é uma lenta reverência
uma presença reminiscente
uma habitação perdida
e encontrada
À sombra de uma árvore
o tempo já não é o tempo
mas a magia de um instante que começa sem fim
a árvore apazigua-nos com a sua atmosfera de folhas
e de sombras interiores
nós habitamos a árvore com a nossa respiração
com a da árvore
com a árvore nós partilhamos o mundo com os deuses

António Ramos Rosa

Foi no Dia Mundial da Poesia que soubemos –  o Sobreiro Assobiador de Águas de Moura, o velho Assobiador com 234 anos,  ganhou o título de Árvore Europeia do Ano. Longa vida à vida longa que tantas vidas tem acompanhado! Orgulho!

 

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Poesia à solta no Agrupamento

Faça-se da poesia o ingrediente da surpresa, recheie-se a reunião de poemas a preceito, surpreenda-se o sorriso com o inesperado e eis que temos os Departamentos a lerem os versos por que não esperavam!

Foi assim no Agrupamento Sá da Bandeira, no Dia Mundial da Poesia!

 

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Poesia. Poesia. Poesia!

florbela-espanca

Ai as almas dos poetas

Não as entende ninguém;

São almas de violetas

Que são poetas também.

Florbela Espanca Obra poética

 

 

 

 

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