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Arquivo da Categoria: Poesia

Orgulhosamente Sá da Bandeira

Palavras são como  cerejas –  braço dado, uma ampara outra, as duas falam, outra se lhes junta, subitamente uma frase, um texto e de conversa nasce poema, conto, novela, romance, saga.

Assim, também as telas, sedentas de cor, traço sentido, pinceladas clássicas, risco modernista ou luz barroca.

Maio é como palavras e telas, verdejante, solar e amadurecido, azul ora límpido ora algodoado, inverno ido, primavera madura, verão anunciado.

Por isso, a Biblioteca da Sá da Bandeira convoca os alunos que trazem maio na escrita e nas telas, os  conhecidos, já estudados por muitos,  e os que vão publicando.

Convidamos todos a ver a exposição com as obras  daqueles de quem dizemos

ORGULHOSAMENTE SÁ DA BANDEIRA:

 

 

 

 

 

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130 anos de Pessoa(s)

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Se a literatura portuguesa tivesse a sua época de festejos populares  Fernando Pessoa seria , certamente, um dos mais celebrados, dos que mais venderia, aquele que mais refletiria as tendências do marketing. Nos mais inusitados objetos se encontra a imagem de Pessoa – dos baralhos de cartas às camisolas, das pens às estilizadas sardinhas, dos tradicionais postais a embalagens de gomas, de canecas  a blocos de apontamentos, de canetas a isqueiros, de panos de louça a serviços de café – uma miríade de opções. 

Álvaro de Campos talvez o tivesse adivinhado 

Assim, como sou, tenham paciência!

Há 130 anos nasceu o génio que  tantas edições motiva:

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Há 83 anos (a 13 de janeiro de 1935) escreveu, na carta a Adolfo Casais Monteiro:

“Sou um dos poucos poetas portugueses que não decretou a sua própria infalibilidade, nem toma qualquer crítica, que se lhe faça, como um acto de lesa-divindade. Além disso, quaisquer que sejam os meus defeitos mentais, é nula em mim a tendência para a mania da perseguição.(…) Não penso nada do Caeiro, do Ricardo Reis ou do Álvaro de Campos. Nada disso poderei fazer, no sentido de publicar, excepto quando (ver mais acima) me for dado o Prémio Nobel. E contudo — penso-o com tristeza — pus no Caeiro todo o meu poder de despersonalização dramática, pus em Ricardo Reis toda a minha disciplina mental, vestida da música que lhe é própria, pus em Álvaro de Campos toda a emoção que não dou nem a mim nem à vida.”

Se a vida lhe tivesse dado tempo…

 

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Cada árvore é um ser para ser em nós

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Cada árvore é um ser para ser em nós

Cada árvore é um ser para ser em nós
Para ver uma árvore não basta vê-a
a árvore é uma lenta reverência
uma presença reminiscente
uma habitação perdida
e encontrada
À sombra de uma árvore
o tempo já não é o tempo
mas a magia de um instante que começa sem fim
a árvore apazigua-nos com a sua atmosfera de folhas
e de sombras interiores
nós habitamos a árvore com a nossa respiração
com a da árvore
com a árvore nós partilhamos o mundo com os deuses

António Ramos Rosa

Foi no Dia Mundial da Poesia que soubemos –  o Sobreiro Assobiador de Águas de Moura, o velho Assobiador com 234 anos,  ganhou o título de Árvore Europeia do Ano. Longa vida à vida longa que tantas vidas tem acompanhado! Orgulho!

 

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Poesia à solta no Agrupamento

Faça-se da poesia o ingrediente da surpresa, recheie-se a reunião de poemas a preceito, surpreenda-se o sorriso com o inesperado e eis que temos os Departamentos a lerem os versos por que não esperavam!

Foi assim no Agrupamento Sá da Bandeira, no Dia Mundial da Poesia!

 

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Poesia. Poesia. Poesia!

florbela-espanca

Ai as almas dos poetas

Não as entende ninguém;

São almas de violetas

Que são poetas também.

Florbela Espanca Obra poética

 

 

 

 

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Poesia. Poesia. Poesia!

NatáliaCorreia

Senhores jurados sou um poeta

um multipétalo uivo um defeito

e ando com uma camisa de vento

ao contrário do esqueleto

Sou um vestíbulo do impossível um lápis

de armazenado espanto e por fim

com a paciência dos versos

espero viver dentro de mim

Sou em código o azul de todos

(curtido couro de cicatrizes)

uma avaria cantante

na maquineta dos felizes

Senhores banqueiros sois a cidade

o vosso enfarte serei

não há cidade sem o parque

do sono que vos roubei

Senhores professores que pusestes

a prémio minha rara edição

de raptar-me em crianças que salvo

do incêndio da vossa lição

Senhores tiranos que do baralho

de em pó volverdes sois os reis

sou um poeta jogo-me aos dados

ganho as paisagens que não vereis

Senhores heróis até aos dentes

puro exercício de ninguém

minha cobardia é esperar-vos

umas estrofes mais além

Senhores três quatro cinco e sete

que medo vos pôs por ordem?

que pavor fechou o leque

da vossa diferença enquanto homem?

Senhores juízes que não molhais

a pena na tinta da natureza

não apedrejeis meu pássaro

sem que ele cante minha defesa

Sou uma impudência a mesa posta

de um verso onde o possa escrever

ó subalimentados do sonho!

a poesia é para comer.

 Natália Correia As maçãs de Orestes (1970)

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O poema não é o canto
que do grilo para a rosa cresce.
O poema é o grilo
é a rosa
e é aquilo que cresce.

E o pensamento que exclui
uma determinação
na fonte donde ele flui
e naquilo que descreve.
O poema é o que no homem
para lá do homem se atreve.

Os acontecimentos são pedras
e a poesia transcendê-las
na já longínqua noção
de descrevê-las.

E essa própria noção é só
uma saudade que se desvanece
na poesia. Pura intenção
de cantar o que não conhece.

Natália Correia, Poemas (1955)

 

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Primavera

Primavera0Abre-te, Primavera!
Tenho um poema à espera

Do teu sorriso.
Um poema indeciso
Entre a coragem e a covardia.
Um poema de lírica alegria
Refreada,
A temer ser tardia
E ser antecipada.
Dantes, nascias
Quando eu te anunciava.
Cantava,
E no meu canto acontecias
Como o tempo depois te confirmava.
Cada verso era a flor que prometias
No futuro sonhado…
Agora, a lei é outra: principias,
E só então eu canto confiado.

Miguel Torga, Diário X
 

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