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Arquivo de etiquetas: Alberto Caeiro

Namoro

Namoro é compromisso apaixonado de afeto, amor aprendiz do outro. É canto seduzido e sedutor, música da poesia, sonata de vida enamorada . O amor é assim:

É dúvida amansada pelo tempo:

Talvez digas um dia o que me queres,
Talvez não queiras afinal dizê-lo,
Talvez passes a mão no meu cabelo,
Talvez eu pense em ti talvez me esperes.
Talvez, sendo isto assim, fosse melhor
Falhar-se o nosso encontro por um triz
Talvez não me afagasses como eu quis,
Talvez não nos soubéssemos de cor. (…)
Vasco Graça Moura

É hesitação no passo de dança:


 

E é um renovado olhar:

Quando eu não te tinha
Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo…
Agora amo a Natureza
Como um monge calmo à Virgem Maria,
Religiosamente, a meu modo, como dantes,
Mas de outra maneira mais como vida e próxima.
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até à beira dos rios;
Sentado a teu lado reparando nas nuvens reparo nelas melhor —
Tu não me tiraste a Natureza…
Tu mudaste a Natureza…
Trouxeste-me a Natureza para o pé de mim,
Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar,
Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente
Sobre todas as coisas.
Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou.

Alberto Caeiro

 

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Primavera

Quando vier a Primavera, 

Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Alberto Caeiro, in “Poemas Inconjuntos”

Primavera-Botticelli.JPG

Primavera – Botticelli

Equinócio 

20 de março de 2017 – tempo de ‘aequus nox’

A Biblioteca apresenta a PRIMAVERA na Sá da Bandeira:

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Publicado por em 20 de Março de 2017 em Bibliotecando, Pintura, Poesia

 

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PÁSCOA

PáscoaPostal

A espantosa realidade das coisas

É a minha descoberta de todos os dias.

Alberto Caeiro

 

 
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Publicado por em 24 de Março de 2016 em Bibliotecando

 

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