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Arquivo de etiquetas: Dia Mundial da Poesia

Poesia. Poesia. Poesia!

florbela-espanca

Ai as almas dos poetas

Não as entende ninguém;

São almas de violetas

Que são poetas também.

Florbela Espanca Obra poética

 

 

 

 

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Poesia. Poesia. Poesia!

NatáliaCorreia

Senhores jurados sou um poeta

um multipétalo uivo um defeito

e ando com uma camisa de vento

ao contrário do esqueleto

Sou um vestíbulo do impossível um lápis

de armazenado espanto e por fim

com a paciência dos versos

espero viver dentro de mim

Sou em código o azul de todos

(curtido couro de cicatrizes)

uma avaria cantante

na maquineta dos felizes

Senhores banqueiros sois a cidade

o vosso enfarte serei

não há cidade sem o parque

do sono que vos roubei

Senhores professores que pusestes

a prémio minha rara edição

de raptar-me em crianças que salvo

do incêndio da vossa lição

Senhores tiranos que do baralho

de em pó volverdes sois os reis

sou um poeta jogo-me aos dados

ganho as paisagens que não vereis

Senhores heróis até aos dentes

puro exercício de ninguém

minha cobardia é esperar-vos

umas estrofes mais além

Senhores três quatro cinco e sete

que medo vos pôs por ordem?

que pavor fechou o leque

da vossa diferença enquanto homem?

Senhores juízes que não molhais

a pena na tinta da natureza

não apedrejeis meu pássaro

sem que ele cante minha defesa

Sou uma impudência a mesa posta

de um verso onde o possa escrever

ó subalimentados do sonho!

a poesia é para comer.

 Natália Correia As maçãs de Orestes (1970)

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O poema não é o canto
que do grilo para a rosa cresce.
O poema é o grilo
é a rosa
e é aquilo que cresce.

E o pensamento que exclui
uma determinação
na fonte donde ele flui
e naquilo que descreve.
O poema é o que no homem
para lá do homem se atreve.

Os acontecimentos são pedras
e a poesia transcendê-las
na já longínqua noção
de descrevê-las.

E essa própria noção é só
uma saudade que se desvanece
na poesia. Pura intenção
de cantar o que não conhece.

Natália Correia, Poemas (1955)

 

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MARÇO

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Março, marçagão, de manhã poesia, à tarde romance, e mais leitura ao serão.

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FAÇA LÁ UM POEMA 2018

FaçaLáumPoema18

Convite aos alunos

O Plano Nacional de Leitura, PNL2027, e a Fundação Centro Cultural de Belém, CCB, que todos os anos e com intenção de incentivar o gosto pela leitura e pela escrita de poesia, celebram o Dia Mundial da Poesia, vêm convidar-te a participar no Concurso FAÇA LÁ UM POEMA, que decorrerá entre fevereiro e março de 2018.
A ti, que gostas de ler e de escrever e que também gostas de dizer os teus textos em voz alta ou gostas de os ouvir lidos por outras pessoas –  a cúmplice perfeita para a tua sensibilidade:

Senhores jurados sou um poeta
um multipétalo uivo um defeito
e ando com uma camisa de vento
ao contrário do esqueleto
Sou um vestíbulo do impossível um lápis
de armazenado espanto e por fim
com a paciência dos versos
espero viver dentro de mim (…)

[‘Poesia Completa’, Natália Correia]
 

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Poesia, sempre

A Biblioteca partilha  Mário Viegas e António Gedeão, porque 

Todo o tempo é de poesia.

Desde a névoa da manhã

à névoa do outro dia.

Desde a quentura do ventre

à frigidez da agonia.

Todo o tempo é de poesia.

Entre bombas que deflagram.

Corolas que se desdobam.

Corpos que em sangue soçobram.

Vidas que a amar se consagram.

Sob a cúpula sombria

das mãos que pedem vingança.

Sob o arco da aliança

da celeste alegoria.

Todo o tempo é de poesia.

Desde a arrumação do caos

à confusão da harmonia.

 

 

Poesia e poetas – na classe 8, 82-1 – na Biblioteca.

 

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Tempo de POESIA

Tempo de Poesia

Todo o tempo é de poesia
Desde a névoa da manhã
à névoa do outro dia.
Desde a quentura do ventre
à frigidez da agonia

Todo o tempo é de poesia

Entre bombas que deflagram.
Corolas que se desdobram.
Corpos que em sangue soçobram.
Vidas qu’a amar se consagram.

Sob a cúpula sombria
das mãos que pedem vingança.
Sob o arco da aliança
da celeste alegoria.

Todo o tempo é de poesia.

António Gedeão, o poeta que Portugal continua a pouco-amar…

 

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Dia Mundial da Poesia

Quando eu não te tinha
Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo…
Agora amo a Natureza
Como um monge calmo à Virgem Maria,
Religiosamente, a meu modo, como dantes,
Mas de outra maneira mais comovida e próxima .
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até à beira dos rios;
Sentado a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor …
Tu não me tiraste a Natureza …
Tu  não me mudaste a Natureza …
Trouxeste-me a Natureza para ao pé de mim,
Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar,
Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente
Sobre todas as cousas.

Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou.

Só me arrependo de outrora te não ter amado.

Alberto Caeiro in O Pastor Amoroso

 rodrigues.lopes@mail.pt

 
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Publicado por em 21 de Março de 2015 em Bibliotecando, Cidadania, Poesia

 

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