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Arquivo de etiquetas: Literatura portuguesa

Português e Literatura – o currículo na Biblioteca

Português e Literatura Portuguesa, a língua e a escrita, a escola e a aprendizagem – um caminho a par, faces de uma mesma Pátria como disse Bernardo Soares no Livro do Desassossego, assim, originalmente:

«Não tenho sentimento nenhum politico ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriotico. Minha patria é a lingua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incommodassem pessoalmente. Mas odeio, com odio verdadeiro, com o unico odio que sinto, não quem escreve mal portuguez, não quem não sabe syntaxe, não quem escreve em orthographia simplificada, mas a pagina mal escripta, como pessoa própria, a syntaxe errada, como gente em que se bata, a orthographia sem ípsilon, como escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.

Sim, porque a orthographia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-m’a do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.» 

Na Biblioteca, a exposição mostra os livros e a literatura do currículo, desde 1843, ano em nascemos Lyceu, até 1943, ano em que habitámos a nova casa e renascemos Liceu Nacional Sá da Bandeira.

 

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130 anos de Pessoa(s)

130Pessoa-2018 (1)

Se a literatura portuguesa tivesse a sua época de festejos populares  Fernando Pessoa seria , certamente, um dos mais celebrados, dos que mais venderia, aquele que mais refletiria as tendências do marketing. Nos mais inusitados objetos se encontra a imagem de Pessoa – dos baralhos de cartas às camisolas, das pens às estilizadas sardinhas, dos tradicionais postais a embalagens de gomas, de canecas  a blocos de apontamentos, de canetas a isqueiros, de panos de louça a serviços de café – uma miríade de opções. 

Álvaro de Campos talvez o tivesse adivinhado 

Assim, como sou, tenham paciência!

Há 130 anos nasceu o génio que  tantas edições motiva:

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Há 83 anos (a 13 de janeiro de 1935) escreveu, na carta a Adolfo Casais Monteiro:

“Sou um dos poucos poetas portugueses que não decretou a sua própria infalibilidade, nem toma qualquer crítica, que se lhe faça, como um acto de lesa-divindade. Além disso, quaisquer que sejam os meus defeitos mentais, é nula em mim a tendência para a mania da perseguição.(…) Não penso nada do Caeiro, do Ricardo Reis ou do Álvaro de Campos. Nada disso poderei fazer, no sentido de publicar, excepto quando (ver mais acima) me for dado o Prémio Nobel. E contudo — penso-o com tristeza — pus no Caeiro todo o meu poder de despersonalização dramática, pus em Ricardo Reis toda a minha disciplina mental, vestida da música que lhe é própria, pus em Álvaro de Campos toda a emoção que não dou nem a mim nem à vida.”

Se a vida lhe tivesse dado tempo…

 

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Telefonia

Em dia de celebrar a Rádio, a Biblioteca recorda Manuel da Fonseca e  um conto emblemático sobre o tema – Sempre é uma companhia: uma aldeia adormecida no desalento das rotinas, um casal acomodado na solidão do marido e no autoritarismo da mulher – eis a circunstância de um vendedor, para fazer o negócio que mudará aquele pedaço de Alentejo para sempre.

O-Fogo-e-as-Cinzas

Era já no dia seguinte que a telefonia deixaria de ouvir-se. Iam todos, de novo, recuar para muito longe, lá para o fim do mundo, onde sempre tinham vivido. Foi a primeira noite em que os homens saíram da venda mudos e taciturnos. Fora esperava-os o negrume fechado. E eles voltavam para a escuridão; iam ser, outra vez, o rebanho que se levanta com o dia, lavra, cava a terra, ceifa e recolhe vergado pelo cansaço e pela noite. Mais nada que o abandono e a solidão. A esperança de melhor vida para todos que a voz poderosa do homem desconhecido levava até à aldeia apagava-se nessa noite para não mais se ouvir. Dentro da venda, o Batola está tão desalentado como os ceifeiros. O mês passou de tal modo veloz que se esqueceu de preparar a mulher. Sobe ao balcão, desliga o fio e arruma o aparelho. Um pouco dobrado sobre as pernas arqueadas, com o chapeirão a encher-lhe a cara de sombra, observa magoadamente a preciosa caixa. Assim está, quando um pressentimento o obriga a voltar a cabeça; junto da porta que dá para os fundos da casa, a mulher olha-o com um ar submisso. «Que terá acontecido?» pensa o Batola, admirado de a ver ainda levantada àquela hora.

− António − murmura ela, adiantando-se até ao meio da venda − Eu queria pedir-te uma coisa…

Suspenso, o homem aguarda. Então, ela desabafa, inclinando o rosto ossudo, onde os olhos negros brilham com uma quase expressão de ternura:

− Olha… Se tu quisesses, a gente ficava com o aparelho. Sempre é uma companhia neste deserto.

Manuel da Fonseca, «Sempre é uma companhia», in O Fogo e as Cinzas, Lisboa,Editorial Caminho, 2011.

 Um autor fundamental na literatura portuguesaManuel da Fonseca.

 

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Bocage – 250 anos

De cerúleo gabão não bem coberto,
passeia em Santarém chuchado moço,
mantido, às vezes, de sucinto almoço,
de ceia casual, jantar incerto;

dos esbrugados peitos quase aberto,
versos impinge por miúde e grosso;
e do que em frase vil chamam caroço,
se o que, é vox clamantis in deserto;

pede às moças ternura, e dão-lhe motes;
que, tendo um coração como estalage,
vão nele acomodando a mil peixotes.

Sabes, leitor, quem sofre tanto ultraje,
cercado de um tropel de franchinotes?
– É o autor do soneto: – é o Bocage.

 
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Publicado por em 15 de Setembro de 2015 em Bibliotecando, Literatura, Memória

 

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Os clássicos no Jardim Infantil

A  Biblioteca da Sá da Bandeira apresenta os clássicos portugueses ao público infantil.

Com fantoches e adaptações das obras mais conhecidas, os clássicos visitam as escolas!

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