Leituras da atualidade

O projeto Leituras da atualidade surgiu para dar visibilidade às novidades da biblioteca, em associação com a disciplina de Português. A turma foi convidada a formalizar o seu projeto individual de leitura com a apresentação de um livro de diferentes géneros literários, das várias áreas do conhecimento, editado em língua portuguesa há menos de 3 anos.

Cumpridos os requisitos estabelecidos nas Aprendizagens Essenciais de Português – compromisso de leitura, planificação, leitura, reflexão, apresentação escrita e oral em turma – os alunos elaboraram um booktrailer, respeitando o roteiro que lhes foi dado e exemplificado pela professora bibliotecária.

Todos os alunos cumpriram a apresentação dos passos da atividade em painel Padlet, assim como aí expuseram os respetivos booktrailers. Este é o Padlet resultante do trabalho da turma 10º D, decorrido entre janeiro e maio de 2022:

Mural Padlet – disponível aqui.

Sol de verão

No entardecer dos dias de Verão, às vezes,
Ainda que não haja brisa nenhuma, parece
Que passa, um momento, uma leve brisa...
Mas as árvores permanecem imóveis
Em todas as folhas das suas folhas
E os nossos sentidos tiveram uma ilusão,
Tiveram a ilusão do que lhes agradaria...

Ah, os sentidos, os doentes que veem e ouvem!
Fôssemos nós como devíamos ser
E não haveria em nós necessidade de ilusão ...
Bastar-nos-ia sentir com clareza e vida
E nem repararmos para que há sentidos ...

Mas graças a Deus que há imperfeição no Mundo
Porque a imperfeição é uma cousa,
E haver gente que erra é original,
E haver gente doente torna o Mundo engraçado.
Se não houvesse imperfeição, havia uma cousa a menos,
E deve haver muita cousa
Para termos muito que ver e ouvir.

“O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993).  - 64.
via http://arquivopessoa.net/textos/3458

Fernando Pessoa e heterónimos - para ler e requisitar , na Biblioteca da Sá da Bandeira, classe 8, 82-1.

Um projeto com Cidadania e Desenvolvimento

Um projeto de turma, transdisciplinar, de articulação entre Aprendizagens Essenciais e Literacia da Informação, com o apoio da Biblioteca Escolar – personalidades que marcaram a ciência e fizeram avançar o mundo:

https://web.microsoftstream.com/video/8e0f2148-2f24-4037-a39b-02f01006b33d

A Língua Portuguesa

Biblioteca da Sá da Bandeira

Do Português dos trovadores, língua-pátria de todos nós, à língua  de onde se vê o mar, assim discorre Marco Neves sobre pureza e bastardia linguística:

“...o português julga que vem do latim, essa língua imperial, mas nem sempre se lembra que o latim era outro: não o latim dos intelectuais romanos, mas a língua do padeiro. E do ferreiro. E da mulher da vida. E do soldado. Sim, também temos Cícero a correr nas veias da língua, mas menos do que gostam de imaginar os que sonham com uma qualquer nobreza do português.

(…)misturámos esse nosso galego com uns pós de árabe – e nem sequer era bem o árabe, mas sim os pedaços de árabe que já vinham misturados, como pedaços de chocolate numa bolacha, no moçárabe, a língua do povo do Sul da península.

Durante séculos, o nosso português era a língua vulgar e o antigo latim…

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LÍNGUA PORTUGUESA

‘O orgulho não é um exclusivo dos grandes países, porque ele não tem que ver com a extensão de um território, mas com a extensão da alma que o preencheu. A alma do meu país teve o tamanho do mundo. Estamos celebrando a gesta dos portugueses nos seus descobrimentos. Será decerto a altura de a Europa celebrar também o que deles projetou na extraordinária revolução da sua cultura. Uma língua é o lugar donde se vê o mundo e de ser nela pensamento e sensibilidade. Da minha língua vê-se o mar. Na minha língua ouve-se o seu rumor como na de outros se ouvirá o da floresta ou o silêncio do deserto. Por isso a voz do mar foi em nós a da nossa inquietação. Assim o apelo que vinha dele foi o apelo que ia de nós. E foi nessa consubstanciação que um novo espírito se formou, como foi outro o espírito da Europa inteira na reconversão total das suas evidências’

Vergílio Ferreira , «A Voz do Mar», in Espaço do Invisível 5, Lisboa, Bertrand, 1999, pp. 83-84′
in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/outros/antologia/da-minha-lingua-ve-se-o-mar/2425 [consultado em 05-05-2022]n Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/outros/antologia/da-minha-lingua-ve-se-o-mar/2425 [consultado em 05-05-2022]

Liberdade

pensei
que a liberdade vinha com a idade
depois pensei
que a liberdade vinha com o tempo
depois pensei 
que a liberdade vinha com o dinheiro
depois pensei 
que a liberdade vinha com o poder
depois percebi
que a liberdade não vem
não é coisa que lhe aconteça
terei sempre de ir eu

Sonia Balacó Constelação

Páscoa

E, num instante, a primavera traz o princípio florido, anuncia os frutos. A tradição diz-nos que estamos em época de ovos, coelhos, pintos – símbolos de fartura e renascimento, de ciclos de vida iniciados depois do inverno. Parece que, num ápice, o nosso tempo letivo chegou à Páscoa. Nestes poucos dias de intervalo na escola, uma leitura intemporal: sigamos o Coelho Branco, como Alice, para percebermos o valor do tempo e do sonho. Noutra vertente, em quadra de reflexão e alegria pela ressureição, reler José Tolentino Mendonça é uma pausa de instante frutificado. Nas estantes da Biblioteca da Sá da Bandeira existe parte da obra de José Tolentino Mendonça, assim como as versões de Alice no país das maravilhas, de Lewis Carrol.

O tempo não é adversário com o qual nos sintamos propriamente confortáveis no ringue, pois no fundo sabemos que ele acabará por vencer. Também nós somos feitos de tempo, somos amassados no seu barro, percebemo-nos atravessados por substratos temporais em tensão, por tempos de natureza diferente que, à sua maneira, nos mensuram, suportam e explicam. Mas nós somos um tempo específico: não somos o tempo. Somos um instante em trânsito entre passado, presente e futuro. Somos esse movimento trânsfuga, essa fulguração, essa coisa entre. O complexo fio que o tempo desdobra supera-nos, é uma realidade a perder de vista, face à qual as nossas habilidades escasseiam. Do tempo sabemos uma pequena parte e ignoramos tudo o resto. Por isso, o confronto com o mistério do tempo nos deixa sem palavras.

José Tolentino Mendonça in “O caminho do não sei” (Expresso, Revista 30 de dezembro de 2021)

Leitura- um excerto por semana

in de memórias nos fazemos, de Violante Saramago Matos (Edições Esgotadas, 2022)

Nas palavras de Violante Saramago Matos, de memórias nos fazemos é um tecer de “…momentos simples ou muito difíceis, bocados de vida que me fizeram. Que aqui reúno. E que aqui ficam para um centenário.” Neste livro, a memória aparece em quadros curtos, feitos da palavra necessária. Fala-se do gesto e da ação, os momentos mais eloquentes da relação entre a filha e o pai. Da intensidade do instante, da palavra breve, ficaram ensinamentos para a vida: “Em todas as circunstâncias, só há uma estaca sólida a que podemos amparar-nos: a coerência.” E ficaram também os livros, de que Violante faz a súmula de uma leitura muito sua, deixando a finalização segundo Saramago “Deixa lá, o tempo é um mestre-de-cerimónias que sempre acaba por nos pôr no lugar que nos compete, vamos avançando, parando e recuando às ordens dele, o nosso erro é imaginar que podemos trocar-lhe as voltas.”

Concurso Nacional de Leitura

PARABÉNS, Beatriz!

Decorreu hoje, na Azambuja, a prova oral da fase Intermunicipal do Concurso Nacional de Leitura.

Foram apurados os participantes que vão representar a Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo na fase nacional, nos diferentes ciclos de ensino.

O Agrupamento Sá da Bandeira será representado pela Beatriz Leão Antunes, aluna do Ensino Secundário, 10º ano, que hoje passou à fase nacional do CNL.

A fotografia é publicada com o devido consentimento dos fotografados, em declaração de consentimento de participação e tratamento de dados, segundo o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados 2016/679 da União Europeia, de 27 de abril.